domingo, 10 de fevereiro de 2008

a fábrica de papel


VULCÃO

Cresci saudável,

em uma pequena

cidade no planalto

de Santa Catarina.

Uma fábrica de papel

estrangeira era a dona

da pequena Otacílio,

e convivíamos com um

nauseabundo cheiro

de peido.

Acostumei-me rápido à fedentina.

Multinacional estadunidense,

vez por outra vovô,

operário aposentado,

contava-me que um sicrano

caíra da caldeira,

morrera eletrocutado,

ou fora esmagado

em alguma máquina.

E eu imaginava a fábrica com um

magnífico poder de destruição

tal qual um vulcão pronto a

destruir toda a cidadela

se os trabalhadores não

fizessem seu trabalho a contento.

Meu tio, certa vez,

sindicalizou-se e organizou

a primeira greve. Quando soube,

muitos anos mais tarde,

tive muito orgulho de sua imensa coragem,

(mesmo tendo ele sido demitido

e obrigado a mudar-se para longe).

O vulcão-fábrica não roncou,

não era outro além do tio e seus grevistas.

Pena não saberem o poder da lava.

Ignorância nunca é eterna.

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